Escaroupim é uma
aldeia piscatória nas margens do rio Tejo, perto de Salvaterra de Magos, no
Ribatejo, no distrito de Santarém.
Esta aldeia foi criada
em meados dos anos trinta por pescadores oriundos da Praia da Vieira, no
concelho da Marinha Grande, que sazonalmente vinham ao Tejo à procura de
sustento para as suas famílias numerosas, uma vez que as condições do mar revolto
durante o inverno impediam esses homens de irem para o mar.
Sulcando o rio Tejo,
encontraram esta zona farta em peixe. Com efeito, nesta época, o Tejo era rico
em pescado, sobretudo em sável, e por isso apelava a essas migrações.
Nos primeiros tempos,
vinham apenas sazonalmente e permaneciam nos seus barcos. Depois, regressavam
à Praia da Vieira no verão. Mais tarde, muitos destes pescadores começaram a
ficar pelas margens do Tejo, deixaram de ir à Praia da Vieira, reconstituíram
pequenas "Praias da Vieira" ao longo das margens, trocaram a pesca
marítima pela fluvial e assim formaram pequenas povoações piscatórias ao longo do rio. "E os avieiros
sem casa, vagabundos do rio", como lhes chamou Alves Redol, no seu romance
"Avieiros", começaram por erguer ali as suas barracas de madeira em
cima de estacas, cobrindo-as com palhas. As estacas - as palafitas - que os
pescadores já usavam nas dunas junto ao mar, serviam-lhes agora para impedir
que as cheias do Tejo atingissem as suas habitações.
Pintadas com cores
vivas e assentes em estacarias, as casas dos avieiros eram de pequenas dimensões
e o acesso era feito por escadas.
Alves Redol conheceu
de perto estes "nómadas do rio, como ciganos na terra", visto que se
fixou, durante alguns meses, nesta região, mais precisamente na Aldeia da
Palhota, tendo aí recolhido dados para o seu romance "Avieiros”. É muito interessante ver o cais palafítico da Palhota da perspetiva do rio quando se serpenteia o Tejo com
Rio-a-Dentro-Natureza.Experiência e Aventura Lda.
Esta viagem pelo Tejo
e pelos seus canais é deslumbrante. Ao longo de duas horas, é possível vislumbrar
uma vegetação ímpar, cavalos lusitanos da lezíria, garças brancas e águias pesqueiras,
corvos marinhos e ninhos de andorinhas…
Na aldeia avieira de
Escaroupim, existe o Museu "Escaroupim e o Rio", um museu etnográfico
que resulta da reabilitação e da ampliação da antiga escola primária. Logo na
entrada, há um quadro de giz, uma carteira e uma palmatória. Neste museu, o
visitante fica a conhecer a história de Escaroupim, bem como as tradições e os
costumes dos avieiros.
Esta visita é complementada com a entrada na Casa Típica
Avieira. Vale a pena!
Lugar visitado a 4 de
julho de 2021.
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