sábado, 30 de dezembro de 2023

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

    Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um importante acampamento romano.


    Este acampamento, situado em Bande, na Galiza, ocupado entre o último quartel do século I e meados do século II, foi provavelmente construído para vigiar a Via XVIII ou Via Nova, uma estrada romana das mais bem conservadas da Península Ibérica, que ligava duas importantes cidades do noroeste da Ibéria: Bracara Augusta, atual cidade de Braga, em Portugal, e Asturica Augusta, atual Astorga, em Espanha, num percurso de aproximadamente 318 quilómetros. A sua posição na Via Nova parece indicar que atuou como base de operações desta importante artéria. Hoje, parte deste acampamento é inundado, em determinadas alturas do ano, pelas águas da barragem de As Conchas, construída em 1949.







    Aquis Querquennis é um sítio arqueológico que exemplifica a importância do legado romano na área. Trata-se de um acampamento militar, que ocupava uma extensão de 2,5 hectares. Estava rodeado por uma muralha com forma retangular e esquinas arredondadas. Na mesma sobressaíam torres defensivas quadrangulares entre as portas e nas esquinas. A muralha foi levantada com perpianhos pequenos de granito, encaixados sem cimento. Tinha 3,20 metros de largura e uma altura aproximada de 5, e encontrava-se rematada por merlões semicilíndricos. O sistema defensivo possuía também um fosso exterior em forma de V, com 5 metros de largura e aproximadamente 3 de profundidade. Possuía quatro portas monumentais, das quais foram escavadas a porta principal, do lado esquerdo, e outra, no lado oeste. O sistema defensivo completava-se com um espaço de segurança sem construções entre a muralha e a primeira linha de edificações.
  Nas escavações, encontraram-se cinco casernas para as tropas. Em cada uma delas podiam viver até oito soldados. Existiam também no acampamento dois celeiros retangulares, que se elevavam sobre linhas de pilares de pedra e se encontravam delimitados por grossos muros com contrafortes externos.
   Também se encontrou um edifício de planta quase quadrada, que seria o hospital ou valetudinarium, com várias salas quadradas em volta de um pátio central ou compluvium. É possível que este pátio tivesse um peristilo de colunas de madeira assentadas sobre um muro baixo de pedra. Também surgiu, durante a escavação, um canal que se acredita que conduzisse as águas do compluvium para o exterior do edifício.
   O edifício central, que seria o quartel-general, possui uma planta retangular. No mesmo, encontrou-se um vestíbulo flanqueado por deambulatórios cobertos e abertos na fachada, e duas salas pequenas de ambos os lados, que possivelmente seriam o lugar onde se guardavam as armas de uso quotidiano das tropas.
    Fora da muralha, na área mais para sul, foram descobertas duas bases circulares pavimentadas com tégula, e que provavelmente seriam bases de fornos cerâmicos. Também aqui foram encontrados vestígios de uma habitação.
    O complexo possui também algumas fontes termais. Um moderno centro de interpretação permite um melhor conhecimento do local que é acessível gratuitamente. 
    Foi declarado Sítio de Interesse Cultural e vale a pena desfrutar da belíssima paisagem onde estas ruínas se encontram.








    Lugar visitado a 28 de dezembro de 2023.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

ALDEIA DE PONTES - CASTRO LABOREIRO - PORTUGAL 2023, uma aldeia inverneira de cortar a respiração…

   Situada em pleno Parque Nacional Peneda e Gerês e escondida num dos vales de Castro Laboreiro, a Aldeia de Pontes é uma tradicional inverneira de cortar a respiração. Aqui, respira-se ar puro, fica-se inebriado perante tanta beleza e, no meio do silêncio, ouve-se o marulhar do corgo, que por ali corre.


    




    Durante o inverno, os habitantes passavam em Pontes os três meses mais frios do ano, pois esta aldeia tinha melhores condições para alimentar o gado durante esta época. As inverneiras eram
habitações sazonais situadas em vales profundos e protegidas de temporais, usadas na estação invernosa. Logo que a primavera despontasse, os habitantes subiam para as brandas de Campelo e Formarigo, as zonas mais altas da serra, onde abundavam pastos férteis para alimentar o gado. A branda é uma pastagem no alto de uma serra, geralmente em terreno pouco inclinado e junto a um curso de água. Durante os meses de bom tempo, o gado era levado até à serra, onde ficava nas denominadas brandas. Ainda hoje há algumas famílias a praticar a transumância na região, isto é, fazem a passagem periódica de rebanhos, geralmente de carneiros, da planície para as montanhas e vice-versa.
    Desabitada durante mais de quinze anos, a inverneira Aldeia de Pontes, localizada a pouco mais de seis quilómetros de Castro Laboreiro, está quase totalmente recuperada para turismo rural, graças ao trabalho constante de Manuel Rodrigues e de Sara Domingues, que reconstruíram as antigas casas da aldeia e as converteram em encantadores retiros de férias ou de lazer. 
   As casas possuem nomes da terra e contam a história da cultura castreja. Assim, a Casa da Eira retrata o lado comunitário da aldeia, o local onde as famílias se juntavam a fazer as medas de centeio que eram levadas para o moinho. No forno comunitário, era cozido o pão de centeio, típico da região. Casa do Lume é um panegírico à típica casa castreja. As casas maiores tinham uma parte central onde se acendia o lume. Casa da Corga tem o mesmo nome que o povo dá aos ribeiros, igual ao que atravessa a aldeia e lhe dá uma beleza singular. Casa da Forja deve o seu nome ao sítio onde existiu em tempos uma forja, local onde eram forjados os diversos utensílios para o dia-a-dia. Casa da Figueira, assim chamada devido à figueira que existe no pátio desta casa. Foi a casa onde o Sr. Manuel nasceu. A Casa do Eido, que no dialeto castrejo significa aldeia ou lugar, e a Casa da Plica, que significa forasteiro.





















    A Aldeia de Pontes é uma aldeia encantadora, onde é possível desfrutar de uma plena comunhão com a natureza envolvente. É um espaço perfeito para descansar e para escutar o canto da ribeira que atravessa a aldeia. 





    Mais do que visitar a Aldeia de Pontes de passagem, deve ser maravilhoso ficar alojado nas lindas casinhas de granito totalmente remodeladas.
  Em Pontes, vale também a pena subir ao Aqueduto. Trata-se de um aqueduto de rega de curta extensão, assente sobre pilares de granito, que terá sido construído nos anos 1940. Junto do aqueduto, ergue-se um cruzeiro simples, também em granito, com um pedestal quadrangular sobre o qual assentam umas alminhas e uma cruz latina.





    Vale a pena conhecer a Aldeia de Pontes!

    Lugar visitado a 28 de dezembro de 2023.

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...