Entrar na casa e nos jardins de Claude Monet é penetrar numa autêntica obra de arte, uma verdadeira galeria impressionista, um pequeno principado independente dedicado à arte e à natureza.
A antiga casa onde o artista viveu foi doada à Académie des Beaux-Arts pelo seu filho, em 1966. Tudo foi restaurado e o local, aberto ao público desde 1980, acolhe atualmente a Fundação Claude Monet.
Claude Monet viveu em Giverny a partir de 1883 e aqui permaneceu até 1926. Quando chegou a Giverny, foi amor à primeira vista. A sua instalação nesta pequena cidade coincide com a morte de Édouard Manet, artista que ele respeitava e admirava.
Nesta casa, Monet viveu rodeado de espantosos jardins, que foram transportados para algumas das suas mais importantes telas. É um deslumbramento ver os cenários reais que serviram de inspiração para as grandes obras de arte de Monet, e deambular pelos seus jardins é sentir parte das suas criações. Monet criou o seu universo de cores, procurou os contrastes que o seu olhar captava através da luz.
Nesta visita impressionista, é possível admirar os dois jardins do pintor: "Le Clos normand", antigo pomar e horta convertidos em jardim junto à casa, e o "Jardin d'eau", a obra de arte de Monet. "Le Clos normand" foi plantado para ser um lugar de pintura, um atelier ao ar livre. Este jardim alberga a casa e uma quantidade extraordinária de flores de diversas cores e espécies. O perfume das flores é inebriante e a paleta de cores magnífica. Um dos mais belos espaços deste "Le Clos normand" é o arco coberto de vegetação, que conduz os visitantes diretamente à porta de sua casa.
Por volta de 1890, Claude Monet resolveu estender o seu jardim para o outro lado da linha férrea a fim de criar um ambiente totalmente diferente. Assim, para concretizar esta fantástica obra, pediu autorização para desviar o pequeno rio Epte, um afluente do Sena. Só desta forma poderia criar os famosos lagos de nenúfares. "Le Clos normand" e "Le Jardin d'eau" estão ligados por uma passagem subterrânea. A atmosfera deste novo jardim é diretamente inspirada no Japão, cujas gravuras Monet admirava.
Apaixonado por jardinagem e pretendendo moldar uma paisagem à sua imaginação, Claude Monet empreendeu o cultivo de nenúfares no seu lago. Essas flores que flutuam na água obcecou-o até o fim da sua vida. Pintou mais de 250 nenúfares e, para cuidar deles, contratou o seu próprio jardineiro. O Jardim de água é composto por um pequeno lago, cheio de referências orientais, e serviu de inspiração para algumas das mais célebres obras do pintor. As ninfeias inspiraram a famosa série intitulada Les Nymphéas. Neste jardim, o destaque vai para a famosa ponte japonesa que atravessa o lago, também reconhecida em obras do artista. Trata-se de uma ponte de madeira em estilo japonês, pintada do mesmo verde das portas e janelas da casa, que atravessa a pequena bacia e que permite um passeio encantador à beira da água.
A casa é magnífica, com várias salas repletas de obras colecionadas por Monet. Refira-se a vasta coleção de arte oriental que influenciou o pintor a ponto de ter sido transportada para os seus jardins.
O artista pintou os móveis, as paredes e os tetos de cores claras e alegres. Colocou nas paredes da casa obras de pintores que ele admirava, como Delacroix, e de alguns companheiros seus na grande aventura do impressionismo, de Renoir a Cézanne.
A visita na casa começa no pequeno salão azul, assim chamado pelo seu tom geral, que serve de sala de leitura.
Segue-se o salão atelier, o primeiro atelier de Monet em Giverny. O atelier é um dos locais marcantes da visita. As réplicas idênticas dão um ar de autenticidade ao lugar.
A visita segue pelos quartos de Monet e de Alice Hoschedé, sua esposa, e aqui é possível admirar a maravilhosa vista que Monet tinha do segundo andar da casa, onde as grandes janelas mostravam o jardim.
O azul e o amarelo destacam-se nos ambientes da cozinha e da sala de jantar. Pintada de um amarelo vivo e alegre, a sala de jantar é um ponto importante da casa com a sua mesa que pode acomodar até catorze convidados. A casa estava sempre aberta aos amigos e as refeições eram verdadeiras festas. A lista de convidados era longa: Renoir, Mallarmé, Paul Valéry, Rodin, Cézanne, Clémenceau...
Na casa, pode ver-se obras originais de outros grandes artistas, como Paul Cézanne e Auguste Renoir, amigos pessoais de Monet.
O atelier onde o artista pintou a série Les Nymphéas, ao lado da casa, funciona atualmente como uma bela loja, onde é possível adquirir todo tipo de objetos ilustrados com obras de Claude Monet.
Um lugar maravilhoso!
Lugar visitado no dia 10 de agosto de 2022.




















