sexta-feira, 21 de abril de 2023

BATALHA - PORTUGAL 2023, e o «imenso livro de pedra a que os espíritos vulgares chamavam simplesmente o Mosteiro da Batalha.» …

    A Batalha é uma vila portuguesa que pertence ao distrito de Leiria, no Centro de Portugal. A Vila da Batalha foi criada com jurisdição própria, como sede do Concelho, através da Carta da Vila concedia por El-Rei D. Manuel, no dia 18 de março de 1500.




    Esta vila foi palco de um momento histórico memorável - a Batalha de Aljubarrota - e, em agradecimento pela vitória alcançada pelos portugueses, nas suas terras, ergueu-se um imponente e esplêndido monumento - o Mosteiro da Batalha - ex-líbris da vila.





    Conhecido como Mosteiro da Batalha, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi erigido à Virgem Maria pela vitória conquistada por D. João, Mestre de Avis, aos castelhanos, na Batalha de Aljubarrota, salvando a independência nacional, ameaçada por uma crise dinástica. D. Fernando havia morrido dois anos antes, deixando como única sucessora uma filha, casada com o Rei de Castela, que afirmava ser o legítimo herdeiro do trono.
    Situado a cerca de dois quilómetros do local onde os castelhanos foram derrotados, este "imenso livro de pedra a que os espíritos vulgares chamavam simplesmente o Mosteiro da Batalha" (A Abóbada, de Alexandre Herculano) começou a ser construído poucos anos depois.
  Trata-se de um dos edifícios mais representativos do Gótico Português. Porém, como a sua construção se prolongou por dois séculos, foi largamente influenciado pelo manuelino, tendo também alguns traços renascentistas.
  Património Mundial da Humanidade, a sua monumentalidade e o seu rendilhado de pedra no exterior são verdadeiramente deslumbrantes.






    O arquiteto do mosteiro chamava-se Afonso Domingues, mas devido à sua quase cegueira e à sua idade avançada, foi afastado da obra. A continuação do mosteiro passara então para as mãos de um irlandês, o mestre Huguet ou Ouguet. Todavia, segundo reza a lenda, Afonso Domingues não se conformara com o facto.
    Certo dia, D. João I resolveu visitar o mosteiro para assistir ao Auto de Celebração dos Reis. Vinha ávido por visitar a Sala do Capítulo, que o mestre irlandês tinha recentemente concluído, seguindo o traçado do projeto de Afonso Domingues, à exceção da abóbada que a cobria. Segundo Huguet, seria impossível concretizar a abóbada imaginada por Afonso Domingues por esta ser muito achatada. Assim, sem consultar o mestre português, decidiu concluí-la de outra forma.
    Huguet estava no Capítulo, vangloriando-se da sua supremacia sobre Afonso Domingues, quando reparou nas fendas que se abriam na abóbada e que ameaçavam a sua queda. Em pânico, desatou a correr pela igreja dizendo que o mestre Afonso lhe tinha enfeitiçado o trabalho. Pensando que o irlandês estava possuído pelo Demónio, os frades acorreram a exorcizá-lo. Huguet caiu desmaiado e ao mesmo tempo um tremendo estrondo anunciava a queda da abóbada da Sala do Capítulo, apenas vinte e quatro horas depois de ter sido concluída.
    Perante o sucedido, El-Rei D. João I nomeou novamente Afonso Domingues mestre das obras do mosteiro, pondo o irlandês sob as suas ordens. A construção da abóbada foi então retomada, de acordo com o seu traçado primitivo. No dia em que foram retiradas as traves que a sustentavam, apenas foi deixada no centro da sala uma pedra, onde ficou sentado Afonso Domingues.
    Este prometeu a Cristo que ficaria sentado na pedra, sem comer nem beber, durante três dias, como prova de que a abóbada não cairia. Ao fim do terceiro dia, El-Rei recebeu a triste notícia de que o grande arquiteto português estava morto, mas a abóbada, como garantira, não tinha caído.
  "Ao entrar na Sala do Capitulo, tem na lembrança aquelas páginas de Alexandre Herculano que o impressionaram na infância o velho Afonso Domingues sentado sob a pedra de fecho da abóbada, os serventes retirando as escoras e o cimbre, em ânsias não fosse desmoronar-se a construção, e, da banda de fora, espreitando pela porta ou pelas janelas laterais, a multidão de obreiros, com algum fidalgo à mistura, em ansiedade igual: "Cai, não cai", não faltava quem tomasse o desastre por garantido, e enfim, passando o tempo e sustentando-se o grande céu de pedra, o dito de Afonso Domingues: "A abóbada não caiu, a abóbada não cairá." Tem o viajante ideia de que o seu professor de então levou o caso à ligeira, apenas uma lição como qualquer outra, quando aqui se está mesmo a ver que não. Sentou-se Afonso Domingues certo da justeza dos seus cálculos, mas de modo algum seguro de que escaparia ao desafio: a previsão absoluta não é humana. Contudo, deu-se a si mesmo por garantia duma obra que fora de muitos. Ganhou, e ganhámos. É um espaço magnífico…", in Viagem a Portugal, de José Saramago.





    Em memória de Afonso Domingues, foi-lhe esculpida uma estátua da pedra sobre a qual acabou os seus dias. 
  E lá está a fazer companhia ao Soldado Desconhecido, a estátua de Afonso Domingues que passa despercebida aos olhos dos visitantes… 




    Ainda nesta Sala, vale a pena contemplar o "Cristo das Trincheiras", dádiva do governo francês em 1958. Este Cristo foi a peça que restou de um Calvário de Neuve-Chapelle. Destruído pelos bombardeamentos, foi testemunha dos atos de bravura dos Militares Portugueses que ali lutaram heroicamente.


    O Mosteiro é constituído por uma igreja, dois claustros com dependências anexas e dois panteões reais, a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas.
    O templo enternece com os seus mais de trinta metros de altura e com os seus mais antigos vitrais em território nacional, que datam do século XV.





    Na Capela do Fundador, estão os túmulos de D João I e de D. Filipa de Lencastre. Na tampa do sarcófago, encontra-se a emocionante estátua dos progenitores da "Ínclita Geração" de mãos dadas. Nesta Capela, é possível contemplar uma réplica dos icónicos "Painéis de São Vicente". Desde a sua descoberta, e ao longo do século XX, estes painéis geraram um interesse público muito intenso. Almada Negreiros também se dedicou a esta obra, ainda que de um ângulo completamente original, o da geometria. Começando por um estudo de perspetiva dos painéis, Almada foi complexificando as suas análises geométricas. Com o tempo, juntou cada vez mais peças da chamada Pintura Primitiva Portuguesa, até definir um retábulo. Após uma visita ao Mosteiro da Batalha, ficou convicto de que este era destinado à parede Norte da Capela do Fundador.












    As Capelas Imperfeitas foram mandadas construir por D. Duarte para seu panteão. Foram concebidas por Huguet, continuadas depois por outros dois arquitetos, e nunca concluídas. O balcão do piso superior, já renascentista, atribuído a Miguel de Arruda, representa a última tentativa de D. João III em concluir as capelas antes do encerramento definitivo da obra.
 








    O portal com as doze imagens dos apóstolos, seis de cada lado, é magnífico. A posição dos apóstolos mostra a importância dos mesmos na sustentação de toda a igreja. Ainda no portal, é possível observar a representação de Jesus Cristo, dos profetas, dos papas, dos bispos, dos mártires e outros.






    Vale a pena a visita!












    Lugar visitado a 11 de abril de 2023.
 


sábado, 15 de abril de 2023

METZ - FRANÇA 2023, a cidade da "Lanterna de Deus"…


    Metz é uma cidade francesa que fica no vale do rio Moselle, no nordeste da França, na região Grand Est.





    Localizada na confluência dos rios Mosela e Seille, Metz é iluminada pela sua belíssima catedral gótica, dedicada a Santo Estevão. A Cathédrale Saint-Étienne foi construída no século XIII, sob o impulso do bispo de Metz, Conrad de Scharfenberg, e a sua construção durou cerca de três séculos. 








    Conhecida como a "Lanterna de Deus com os seus seis mil e quinhentos metros quadrados de vitrais, que datam de diferentes períodos, a Catedral é indescritível. Uma magnífica obra-prima gótica e um dos edifícios mais envidraçados do mundo cristão. Vale mesmo a pena percorrer as diferentes partes da igreja para admirar os estupendos vitrais ali colocados ao longo dos séculos. Entre os conceituados artistas por detrás dessas coloridas obras-primas estão Hermann von Münster e Jacques Villon. Após a destruição dos vitrais durante a Segunda Guerra Mundial, novas obras são produzidas por artistas como Marc Chagall, conferindo um toque um pouco mais contemporâneo ao edifício.







    Com mais de 40 metros de altura, a nave da catedral é uma das mais altas da França. A abundância de janelas na igreja permite que o seu interior seja extremamente claro e iluminado. A melhor hora para visitá-la é ao pôr do sol, de preferência sem muita gente para poder desfrutar da magia da luz.




   As colunas têm pouquíssimas decorações, para não quebrar a impressão de elevação. Os jogos de luz e cores interiores também visam a elevação espiritual, e a pedra de Jaumont, de um amarelo-montanha, extraída nos arredores, confere ao monumento um soberbo brilho dourado.






    Em Metz, vale pena dirigir-se à Porta dos Alemães (Porte des Allemands), a antiga entrada da cidade. Trata-se de uma ponte de um castelo medieval, uma relíquia das fortificações medievais, com duas torres redondas do século XIII e dois bastiões de canhão do século XV.














    A estação Metz-Ville ou Gare de Metz-Ville é a principal estação ferroviária que serve a cidade. Trata-se de um edifício neorromânico de 350 metros de comprimento, construído entre 1905 e 1908, em grés cinza claro, que contrasta com os outros edifícios da cidade, construídos essencialmente em calcário amarelo. A fachada da estação é magnífica. Em frente à estação, fica a Place du Géneral de Gaulle, anteriormente chamada Place de la Gare, onde se encontra uma monumental estátua em bronze do General, obra da escultora francesa Elisabeth Cibot. Charles de Gaulle está ligado à história contemporânea da cidade. Ele era coronel quando foi designado, em 1937, para o 507º Regimento de tanques de combate no distrito de Lizé de Montigny-lès-Metz. Em novembro de 1944, volta a Metz acompanhado por Winston Churchill.







    Metz, a cidade onde nasceu Paul Verlaine! Metz, uma agradável surpresa!





    Lugar visitado a 11 de março de 2023.

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...