Situada em pleno Parque Nacional Peneda e
Gerês e escondida num dos vales de Castro
Laboreiro, a Aldeia de Pontes é
uma tradicional inverneira de cortar a respiração. Aqui, respira-se ar puro, fica-se inebriado
perante tanta beleza e, no meio do silêncio, ouve-se o marulhar do corgo, que por ali corre.
Durante o
inverno, os habitantes passavam em Pontes os três meses mais frios do ano, pois
esta aldeia tinha melhores condições para alimentar o gado durante esta época. As
inverneiras eram habitações sazonais situadas em vales profundos e protegidas de
temporais, usadas na estação invernosa. Logo que a primavera despontasse, os habitantes subiam para as
brandas de
Campelo e Formarigo, as zonas
mais altas da serra, onde abundavam pastos férteis para alimentar o gado. A
branda é uma pastagem no alto de uma serra, geralmente em terreno pouco inclinado
e junto a um curso de água. Durante os meses de bom tempo, o gado era levado
até à serra, onde ficava nas denominadas brandas. Ainda hoje
há algumas famílias a praticar a transumância na região, isto é, fazem a
passagem periódica de rebanhos, geralmente de carneiros, da planície para as
montanhas e vice-versa. Desabitada
durante mais de quinze anos, a inverneira Aldeia
de Pontes, localizada a pouco mais de seis quilómetros de Castro Laboreiro, está
quase totalmente recuperada para turismo rural, graças ao trabalho constante
de Manuel Rodrigues e de Sara Domingues, que reconstruíram
as antigas casas da
aldeia e as converteram em encantadores retiros de férias ou de lazer. As casas possuem nomes da
terra e contam a história da cultura castreja. Assim, a Casa da Eira retrata
o lado comunitário da aldeia, o local onde as famílias se juntavam a fazer as
medas de centeio que eram levadas para o moinho. No forno comunitário, era
cozido o pão de centeio, típico da região. A Casa do Lume é
um panegírico à típica casa castreja. As casas maiores tinham uma parte central
onde se acendia o lume. A Casa da Corga tem
o mesmo nome que o povo dá aos ribeiros, igual ao que atravessa a aldeia e lhe
dá uma beleza singular. A Casa da Forja deve
o seu nome ao sítio onde existiu em tempos uma forja, local onde eram forjados os diversos utensílios para o dia-a-dia. A Casa da Figueira,
assim chamada devido à figueira que existe no pátio desta casa. Foi a
casa onde o Sr. Manuel nasceu. A Casa do Eido, que no dialeto castrejo
significa aldeia ou lugar, e a Casa da Plica, que significa forasteiro.
A Aldeia de Pontes é uma aldeia encantadora, onde é possível
desfrutar de uma plena comunhão com a natureza envolvente. É um espaço perfeito para
descansar e para escutar o canto da ribeira que atravessa a aldeia. Mais do
que visitar a Aldeia de Pontes de passagem, deve ser maravilhoso ficar alojado nas
lindas casinhas de granito totalmente remodeladas.
Em Pontes, vale também
a pena subir ao Aqueduto. Trata-se de um aqueduto de rega de curta
extensão, assente sobre pilares de granito, que terá sido construído nos anos
1940. Junto do aqueduto, ergue-se um cruzeiro simples, também em granito, com um
pedestal quadrangular sobre o qual assentam umas alminhas e uma cruz latina.
Vale a pena conhecer a
Aldeia de Pontes!
Lugar visitado a 28 de
dezembro de 2023.
Sem comentários:
Enviar um comentário