A Batalha é uma vila portuguesa que pertence ao distrito de Leiria,
no Centro de Portugal. A Vila da Batalha foi criada com jurisdição própria,
como sede do Concelho, através da Carta da Vila concedia por El-Rei D. Manuel, no
dia 18 de março de 1500.
Esta vila foi palco de um momento histórico memorável - a Batalha de Aljubarrota - e, em agradecimento pela vitória alcançada pelos portugueses, nas suas terras, ergueu-se um imponente e esplêndido monumento - o Mosteiro da Batalha - ex-líbris da vila.
Conhecido como Mosteiro da Batalha, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi erigido à Virgem Maria pela vitória conquistada por D. João, Mestre de Avis, aos castelhanos, na Batalha de Aljubarrota, salvando a independência nacional, ameaçada por uma crise dinástica. D. Fernando havia morrido dois anos antes, deixando como única sucessora uma filha, casada com o Rei de Castela, que afirmava ser o legítimo herdeiro do trono.
Situado a cerca de dois quilómetros do local onde os castelhanos foram derrotados, este "imenso livro de pedra a que os espíritos vulgares chamavam simplesmente o Mosteiro da Batalha" (A Abóbada, de Alexandre Herculano) começou a ser construído poucos anos depois.
Trata-se de um dos edifícios mais representativos do Gótico Português. Porém, como a sua construção se prolongou por dois séculos, foi largamente influenciado pelo manuelino, tendo também alguns traços renascentistas.
Património Mundial da Humanidade, a sua monumentalidade e o seu rendilhado de pedra no exterior são verdadeiramente deslumbrantes.
Trata-se de um dos edifícios mais representativos do Gótico Português. Porém, como a sua construção se prolongou por dois séculos, foi largamente influenciado pelo manuelino, tendo também alguns traços renascentistas.
Património Mundial da Humanidade, a sua monumentalidade e o seu rendilhado de pedra no exterior são verdadeiramente deslumbrantes.
O arquiteto do mosteiro chamava-se Afonso Domingues, mas devido à sua quase cegueira e à sua idade avançada, foi afastado da obra. A continuação do mosteiro passara então para as mãos de um irlandês, o mestre Huguet ou Ouguet. Todavia, segundo reza a lenda, Afonso Domingues não se conformara com o facto.
Certo dia, D. João I resolveu visitar o mosteiro para assistir ao Auto de Celebração dos Reis. Vinha ávido por visitar a Sala do Capítulo, que o mestre irlandês tinha recentemente concluído, seguindo o traçado do projeto de Afonso Domingues, à exceção da abóbada que a cobria. Segundo Huguet, seria impossível concretizar a abóbada imaginada por Afonso Domingues por esta ser muito achatada. Assim, sem consultar o mestre português, decidiu concluí-la de outra forma.
Huguet estava no Capítulo, vangloriando-se da sua supremacia sobre Afonso Domingues, quando reparou nas fendas que se abriam na abóbada e que ameaçavam a sua queda. Em pânico, desatou a correr pela igreja dizendo que o mestre Afonso lhe tinha enfeitiçado o trabalho. Pensando que o irlandês estava possuído pelo Demónio, os frades acorreram a exorcizá-lo. Huguet caiu desmaiado e ao mesmo tempo um tremendo estrondo anunciava a queda da abóbada da Sala do Capítulo, apenas vinte e quatro horas depois de ter sido concluída.
Perante o sucedido, El-Rei D. João I nomeou novamente Afonso Domingues mestre das obras do mosteiro, pondo o irlandês sob as suas ordens. A construção da abóbada foi então retomada, de acordo com o seu traçado primitivo. No dia em que foram retiradas as traves que a sustentavam, apenas foi deixada no centro da sala uma pedra, onde ficou sentado Afonso Domingues.
Este prometeu a Cristo que ficaria sentado na pedra, sem comer nem beber, durante três dias, como prova de que a abóbada não cairia. Ao fim do terceiro dia, El-Rei recebeu a triste notícia de que o grande arquiteto português estava morto, mas a abóbada, como garantira, não tinha caído.
"Ao entrar na
Sala do Capitulo, tem na lembrança aquelas páginas de Alexandre Herculano que o
impressionaram na infância o velho Afonso Domingues sentado sob a pedra de
fecho da abóbada, os serventes retirando as escoras e o cimbre, em ânsias não
fosse desmoronar-se a construção, e, da banda de fora, espreitando pela porta
ou pelas janelas laterais, a multidão de obreiros, com algum fidalgo à mistura,
em ansiedade igual: "Cai, não cai", não faltava quem tomasse o desastre por
garantido, e enfim, passando o tempo e sustentando-se o grande céu de pedra, o
dito de Afonso Domingues: "A abóbada não caiu, a abóbada não cairá." Tem o viajante
ideia de que o seu professor de então levou o caso à ligeira, apenas uma lição
como qualquer outra, quando aqui se está mesmo a ver que não. Sentou-se Afonso
Domingues certo da justeza dos seus cálculos, mas de modo algum seguro de que
escaparia ao desafio: a previsão absoluta não é humana. Contudo, deu-se a si mesmo
por garantia duma obra que fora de muitos. Ganhou, e ganhámos. É um espaço
magnífico…", in Viagem a Portugal,
de José Saramago.
Em memória de Afonso Domingues, foi-lhe esculpida uma estátua da pedra sobre a qual acabou os seus dias.
E lá está a fazer companhia ao Soldado Desconhecido, a estátua de Afonso Domingues que passa despercebida aos olhos dos visitantes…
E lá está a fazer companhia ao Soldado Desconhecido, a estátua de Afonso Domingues que passa despercebida aos olhos dos visitantes…
Ainda nesta Sala, vale a pena contemplar o "Cristo das Trincheiras", dádiva do governo francês em 1958. Este Cristo foi a peça que restou de um Calvário de Neuve-Chapelle. Destruído pelos bombardeamentos, foi testemunha dos atos de bravura dos Militares Portugueses que ali lutaram heroicamente.
O Mosteiro é constituído por uma igreja, dois claustros com dependências anexas e dois panteões reais, a Capela do Fundador e as Capelas Imperfeitas.
O templo enternece com os seus mais de trinta metros de altura e com os seus mais antigos vitrais em território nacional, que datam do século XV.
Na Capela do Fundador, estão os túmulos de D João I e de D. Filipa de Lencastre. Na tampa do sarcófago, encontra-se a emocionante estátua dos progenitores da "Ínclita Geração" de mãos dadas. Nesta Capela, é possível contemplar uma réplica dos icónicos "Painéis de São Vicente". Desde a sua descoberta, e ao longo do século XX, estes painéis geraram um interesse público muito intenso. Almada Negreiros também se dedicou a esta obra, ainda que de um ângulo completamente original, o da geometria. Começando por um estudo de perspetiva dos painéis, Almada foi complexificando as suas análises geométricas. Com o tempo, juntou cada vez mais peças da chamada Pintura Primitiva Portuguesa, até definir um retábulo. Após uma visita ao Mosteiro da Batalha, ficou convicto de que este era destinado à parede Norte da Capela do Fundador.



O portal com as doze imagens dos apóstolos, seis de cada lado, é magnífico. A posição dos apóstolos mostra a importância dos mesmos na sustentação de toda a igreja. Ainda no portal, é possível observar a representação de Jesus Cristo, dos profetas, dos papas, dos bispos, dos mártires e outros.




















































Sem comentários:
Enviar um comentário