sexta-feira, 18 de novembro de 2022

LAVRE - PORTUGAL 2021, a vila dos "Levantados do Chão"…

  Lavre é uma vila portuguesa do concelho de Montemor-o-Novo, na região do Alentejo.

    "Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou eu outra vez a sonhar. Como os Homens a quem me dirijo." José Saramago, in Levantado do Chão


    Foi na vila de Lavre que, no auge da Reforma Agrária, em 1977, viveu, algum tempo, o Nobel da Literatura Portuguesa, para se documentar e se inteirar das condições miseráveis em que viviam os trabalhadores. Foi no Lavre que José Saramago conheceu o Alentejo profundo. Foi no Lavre que se instalou para ouvir e contar por escrito as histórias das greves dos trabalhadores rurais dos anos 40 do século XX, quando as convocatórias eram entregues durante a noite por gente que vinha de bicicleta com as luzes apagadas. Foi no Lavre que encontrou inspiração para escrever a magnífica obra Levantado do Chão



    Saramago viveu num quarto cuja janela ficava mesmo por cima da porta por onde se entrava para a extinta  Cooperativa de Consumo Vento do Leste. Na época, nesse edifício moravam diversos trabalhadores da UCP - "Unidade Coletiva de Produção Boa Esperança" do Lavre.




    Para quem gosta da Literatura do Nobel Português, vale a pena visitar o Lavre e ficar alojado na Casa do Lavre, a casa de Maria Saraiva, e conversar com a filha, a D. Alcina, que conta histórias incríveis! Maria Saraiva, a dona da mercearia que tanta fome saciou em tempos de miséria, foi quem inspirou José Saramago na criação de "Maria Graniza", na obra Levantado do Chão, uma obra-prima.




    Estar no Lavre é percorrer as suas ruas estreitas e encontrar a rua e a casa dos "Mau-Tempo", do João Mau-Tempo, o alentejano que foi torturado na prisão do Aljube, e a casa de Mariana Amália e de João Basuga, onde Saramago almoçava diariamente. Mariana Amália esteve prestes a passar da vida prática para as páginas da literatura no livro Memorial do Convento. A personagem Blimunda esteve para se chamar Mariana Amália, tal era o carinho que Saramago nutria por esta mulher que o acolheu.




      Estar no Lavre é saborear o tempo que, na maioria das vezes, passa por nós sem o aproveitarmos.

Lugar visitado a 11 de agosto de 2021.

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