Lavre é uma vila portuguesa do concelho de Montemor-o-Novo, na região do Alentejo.
"Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira. Enfim, cá estou eu outra vez a sonhar. Como os Homens a quem me dirijo." José Saramago, in Levantado do Chão.
Foi
na vila de Lavre que, no auge da Reforma Agrária, em 1977, viveu, algum
tempo, o Nobel da Literatura Portuguesa, para se documentar e se inteirar das
condições miseráveis em que viviam os trabalhadores. Foi no Lavre que José Saramago
conheceu o Alentejo profundo. Foi no Lavre que se instalou para ouvir e contar
por escrito as histórias das greves dos trabalhadores rurais dos anos 40 do
século XX, quando as convocatórias eram entregues durante a noite por gente que
vinha de bicicleta com as luzes apagadas. Foi no Lavre que encontrou inspiração
para escrever a magnífica obra Levantado do Chão.
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Saramago viveu num quarto cuja janela ficava mesmo
por cima da porta por onde se entrava para a extinta Cooperativa
de Consumo Vento do Leste. Na época, nesse edifício moravam diversos
trabalhadores da UCP - "Unidade Coletiva de Produção Boa Esperança" do
Lavre.
Estar
no Lavre é percorrer as suas ruas estreitas e encontrar a rua e a casa dos
"Mau-Tempo", do João Mau-Tempo, o alentejano que foi torturado na prisão
do Aljube, e a casa de Mariana Amália e de João Basuga, onde Saramago almoçava
diariamente. Mariana Amália esteve prestes a passar da vida prática para as páginas
da literatura no livro Memorial do
Convento. A personagem Blimunda esteve para se chamar Mariana Amália, tal
era o carinho que Saramago nutria por esta mulher que o acolheu.
Estar
no Lavre é saborear o tempo que, na maioria das vezes, passa por nós sem o
aproveitarmos.
Lugar
visitado a 11 de agosto de 2021.
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