Génova é uma cidade portuária que fica na região da Ligúria e é um dos burgos mais antigos da Itália. A cidade natal de Cristóvão Colombo desempenhou, durante vários séculos, um papel crucial no comércio marítimo.
A Piazza De Ferrari ou Piazza Raffaele De Ferrari é uma das principais praças de Génova. Conhecida pela sua grande fonte de jatos de água, situa-se no centro histórico da cidade. Nesta praça, existem vários edifícios históricos, como o Palazzo Ducale, o Teatro Carlo Felice - a principal casa de ópera de Génova - o belíssimo Palazzo della Borsa, o Palazzo dell'Accademia Ligustica di Belle Arti e o Palazzo del Credito Italiano.
Em frente ao Teatro Carlo Felice, encontra-se uma estátua, em bronze, de Giuseppe Garibaldi, montado no seu cavalo. A Via Garibaldi, também conhecida por “Strade Nuove” é uma das ruas mais importantes e famosas de Génova. Classificada como Património Mundial desde 2006, foi edificada para efeitos de habitação nos finais do século XVI, quando a Itália estava no auge do seu poder marítimo e financeiro.
Vale a pena deambular por esta via e desfrutar da beleza destas residências imponentes e elegantes. A partir de meados de 1500, Génova foi enriquecida com magníficas fachadas em estuque, mármore ou decorações pintadas, com átrios grandiosos, com esplêndidos jardins com fontes… Nos interiores, destacam-se grandes salões com afrescos, móveis sumptuosos, preciosas coleções de arte e ricas galerias de quadros. Estas residências não escaparam ao olhar de artistas requintados como o grande pintor flamengo Pieter Paul Rubens que, no início do século XVII, publicou um livro de desenhos dos edifícios, que propôs como modelo para as residências dos aristocratas de toda a Europa.
No cenário extraordinário da Via Garibaldi, a magnífica "Strada Nuova" conecta três palácios que constituem o maior museu de arte antiga da cidade, o Palazzo Rosso, o Palazzo Bianco e o Palazzo Doria Tursi.
O Palazzo Rosso (Palazzo Brignole Sale Rodolfo e Francesco) é um dos Palazzi dei Rolli, Património Mundial da UNESCO, na chamada Strade Nuove. Trata-se de uma "casa-museu" que abriga as ricas coleções de arte e mobiliário histórico da família Brignole-Sale em quartos sumptuosamente decorados com afrescos e estuques. Alberga uma das galerias de arte mais importantes de Génova.
O Palazzo Bianco (Palazzo Grimaldi Luca) foi construído entre 1530 e 1540 por Luca Grimaldi, membro de uma das mais importantes famílias genovesas.
As duas estátuas de Júpiter e Jano são hoje o único elemento visível da residência original. Ao longo dos tempos, esta habitação passou por várias gerações e por uma série de arrendatários que foram enriquecendo o Palazzo Bianco com valiosas coleções artísticas e onde é possível admirar obras-primas de Caravaggio e de muitos outros artistas genoveses, italianos e europeus.
Ecce Homo é uma pintura a óleo realizada pelo pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio. Esta obra magnífica, como todas as saídas do pincel deste grande pintor, retrata o momento em que Pôncio Pilatos apresenta Jesus Cristo aos judeus, dizendo "Ecce Homo" (Eis o homem). Um quadro fabuloso!
O Palazzo Bianco, a principal galeria de arte da Ligúria, foi cedido ao Município por testamento em 1884, juntamente com um notável núcleo de obras antigas e modernas. A testamentária, Maria Brignole-Sale De Ferrari, Duquesa de Galliera, já havia doado também o Palazzo Rosso ao Município no ano de 1874.
Entre o Palazzo Bianco e o Palazzo Tursi há uma ligação que atravessa o local onde existia a igreja do destruído convento de São Francisco de Castelletto. O Palazzo Doria-Tursi (Palazzo Grimaldi Niccolò), que hoje também abriga a Câmara Municipal, foi construído a partir de 1565 por Domenico e Giovanni Ponsello para Niccolò Grimaldi, apelidado de "o Monarca" devido à quantidade de títulos nobres que este possuía.
Aqui termina o itinerário dedicado à pintura do século XVIII e o visitante encontra uma rica seleção de obras de arte decorativas: tapeçarias, cerâmicas genovesas, moedas, pesos e medidas oficiais da antiga República de Génova. É aqui que se encontram os violinos históricos de Nicolò Paganini, incluindo o famoso "Cannone Guarnieri".
O célebre violino, conhecido como “il Cannone”, era o instrumento preferido do grande violinista Niccolò Paganini (Génova 1782 - Nice 1840). Foi o próprio Paganini quem chamou o excecional instrumento de “meu violino canhão”, pela plenitude do som, capaz de transmitir a sua extrema tensão emocional durante a execução.
O violino foi construído em 1742. Paganini recebeu-o como presente de um admirador. Tocou-o, conforme o costume da época, sem utilizar o apoio de queixo, amparando o mesmo diretamente na extremidade da caixa acústica que ainda conserva os sinais de uso intenso. Foi o próprio Paganini quem deixou o instrumento no seu testamento para a sua cidade natal a fim de que ali pudesse ser "preservado para sempre" após a sua morte. Com efeito, Paganini manteve um vínculo profundo com Génova, apesar da sua existência atormentada e do seu grande talento que logo o levou para longe para atuar nos principais teatros italianos e europeus.
O instrumento, sujeito a verificações periódicas, é tocado regularmente para garantir a sua ótima conservação. Em ocasiões significativas, atua em concertos e a sua utilização é reservada exclusivamente a músicos com talento comprovado e, em particular, ao vencedor do concurso internacional "Prémio Paganini" para jovens violinistas. O instrumento está exposto junto com a sua cópia, feita em 1833, e outras recordações de Paganini, como partituras, documentos, cartas autografadas e algumas peças acessórias do Canhão utilizadas pelo brilhante músico.
Entre as avenidas principais do Centro Histórico, encontra-se a Via S. Lorenzo, onde se ergue majestosamente a Catedral dedicada a San Lorenzo, mártir.
Esta Catedral guarda as cinzas do santo padroeiro da cidade, San Giovanni Battista, trazidas para Génova no final da Primeira Cruzada.
A fachada, com faixas brancas e pretas, é magnífica.
No seu interior, no corredor direito, foi preservada a réplica de uma bomba que não explodiu, disparada em 1941 pela Frota Real Britânica durante um dos piores ataques contra a cidade de Génova, no decurso da Segunda Guerra Mundial.
Bem perto da Catedral e porque se está em Itália, não deixe de saborear um delicioso gelado na Gelati Artigianali.
No coração do porto de Génova, na Piazza Caricamento, destaca-se um elegante palácio, o Palazzo San Giorgio, cuja fachada está coberta de pinturas efeito "trompe l'oeil", dando uma impressão de estar decorado com esculturas. Esta edificação, construída no século XIII por ordem de Guglielmo Boccanegra, tio de Simone Boccanegra, o primeiro Doge de Génova, data de 1260 e foi o primeiro edifício público genovês. Albergou o primeiro banco do mundo, o Banco de São Jorge, em italiano Casa delle compere e dei banchi di San Giorgio.Esta instituição financeira, fundada em 1407, tinha como principal finalidade consolidar a dívida pública, que aumentava devido à guerra com Veneza causada pela disputa comercial e financeira entre as duas cidades mercantis. Quanto à referência a San Giorgio, era norma invocar a proteção de um santo, sempre que houvesse um elemento de risco na cidade. Neste caso, de São Jorge, um jovem guerreiro e soldado romano, venerado como mártir cristão. Atualmente, este edifício é a sede da Autoridade Portuária.
Na segunda metade do século XIII, este palácio foi também uma prisão. Aqui esteve preso, cerca de um ano, Marco Polo. Neste período, o explorador veneziano ditou ao seu companheiro de prisão Rustichello de Pisa as suas memórias de viagem que mais tarde haveriam de ser publicadas.
Génova, uma cidade italiana com muito para ver e descobrir.
Lugar visitado em 30 de agosto de 2023.