Palência é uma cidade do norte de Espanha que faz parte da comunidade autónoma de Castela e Leão. Outrora conhecida como Pallantia, Palência orgulha-se de ser a cidade da primeira universidade espanhola, fundada por Afonso VIII de Castela, a pedido do Bispo Tello Téllez de Meneses.
Palência guarda na sua “bela desconhecida”, que é o nome popular dado à Catedral dedicada a San Antolín, uma belíssima obra que saiu do pincel de El Greco, o Martírio de São Sebastião, um óleo sobre tela (1577). São Sebastião ou Martírio de São Sebastião é uma obra autografada do famoso artista Doménikos Theotokópoulos, comummente conhecido como El Greco. A pintura retrata São Sebastião, vítima do imperador romano Diocleciano durante o século IV d.C.. Segundo a lenda, Sebastião foi amarrado a uma árvore e perfurado com várias flechas. Quando isso aconteceu, uma jovem, de nome Irene, passou naquele lugar e verificou que ele ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e muita persistência, voltou à presença do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e a injustiça. Diocleciano, irado, mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado na Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288 ou 300. Vale a pena contemplar estas magníficas pinceladas do artista. Fabuloso!
A Catedral de Palência começou a ser construída no século XIV, sobre a antiga cripta de San Antolín, e foi concluída no XVI. É um edifício de estilo predominantemente gótico. O interior é belíssimo. A austeridade da sua fachada, além de ocultar este magnífico São Sebastião, esconde também a cripta de San Antolín, com restos dos templos romano e visigodo que ficavam no mesmo lugar séculos antes. A cripta de San Antolín é protagonista de duas lendas que tentam explicar a sua origem e importância. A primeira fala-nos das razões da sua construção pelo rei visigótico Wamba. A segunda narra a sua redescoberta por Sancho III de Pamplona, após anos de abandono. Segundo a primeira lenda, a cripta foi construída por ordem do rei Wamba depois de este trazer as relíquias de Antolín de Pamiers de Narbona. Antolín era um visigodo, que abraçou o catolicismo, acabando por sofrer o martírio por volta do ano 506, na cidade de Pamiers. A tradição de Palência acredita que Wamba trouxe as relíquias de San Antolín de Narbona e as depositou na cripta atual. De acordo com a segunda lenda, o rei de Navarra, Sancho III, caçava numa floresta de Palência, quando, perseguindo um javali, entrou numa caverna. Prestes a alcançá-lo com uma lança, sentiu o braço paralisado. Ao se aperceber de que a caverna era a cripta de San Antolín, Sancho III prometeu construir ali um templo caso recuperasse a mobilidade da sua extremidade superior. Assim, reergueu ali a primeira catedral, sobre a qual viria a ser construída a catedral românica e, por cima, a atual catedral gótica, num complexo processo histórico de adição, destruição, substituição ou sobreposição de elementos arquitetónicos.
Atualmente, no dia dois de setembro, dia de San Antolín, a cripta é aberta para oferecer a água do seu poço aos piedosos, uma tradição vivamente enraizada entre os habitantes da cidade. Os fiéis recolhem a água, considerada milagrosa, em pequenos recipientes, enquanto decorre a Eucaristia. Terminada a missa, organiza-se uma procissão à volta do templo. Em Palência, destaca-se também a imponente escultura do Cristo del Otero,
que se ergue majestosamente numa colina a nordeste da cidade. Trata-se de um dos ícones mais queridos dos habitantes de Palência. Com a assinatura do grande escultor Victorio Macho (1887-1966), o Cristo del Otero pesa 392 toneladas e foi construído em apenas oito meses. A primeira pedra foi lançada em 15 de junho de 1930 e a obra foi concluída em fevereiro de 1931. Junto da soberba imagem repousam os restos mortais do célebre escultor Victorio Macho, na ermida que partilha espaço com o Centro de Interpretação que se abre sob a pedra, no cimo do outeiro. É difícil englobar a escultura numa tendência artística única. Possui algumas das influências culturais mais internacionais da época, como Art Déco ou Cubismo. Não deixe de subir a esta colina e contemplar a cidade a partir do miradouro! Também pode visitar o santuário e o centro de interpretação Victorio Macho, dedicado aos seus projetos artísticos. Vale a pena!
Lugar visitado a 3 de agosto de 2022.
A Catedral de Palência começou a ser construída no século XIV, sobre a antiga cripta de San Antolín, e foi concluída no XVI. É um edifício de estilo predominantemente gótico. O interior é belíssimo. A austeridade da sua fachada, além de ocultar este magnífico São Sebastião, esconde também a cripta de San Antolín, com restos dos templos romano e visigodo que ficavam no mesmo lugar séculos antes.
Atualmente, no dia dois de setembro, dia de San Antolín, a cripta é aberta para oferecer a água do seu poço aos piedosos, uma tradição vivamente enraizada entre os habitantes da cidade. Os fiéis recolhem a água, considerada milagrosa, em pequenos recipientes, enquanto decorre a Eucaristia. Terminada a missa, organiza-se uma procissão à volta do templo.
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