Palermo é a capital da Sicília, a ilha que parece pontapeada pelo pé da bota. Banhada pelas águas azuis do Mediterrâneo, a cidade de Palermo tem um riquíssimo centro histórico.
O destaque vai para o Palácio dos Normandos (Palazzo dei Normanni) e a sua Capela Palatina, um enorme edifício, também conhecido como Palácio Real, construído pelos árabes no IX e, mais tarde, ampliado pelos normandos, que o converteram numa sumptuosa morada real. Ao longo dos séculos, este palácio sofreu bastantes modificações. A partir de 1947, passou a ser a sede do Parlamento Regional Siciliano. O salão de Hércules é o local onde os deputados da Assembleia Regional da Sicília se reúnem. Tem o nome das pinturas que retratam o ciclo dedicado ao herói mitológico grego, Hércules.
Não obstante, a joia do Palácio Real é, efetivamente, a Capela Palatina, considerada como a mais representativa expressão da arte normanda na capital siciliana. Edificada a partir de 1130, consagrada em 1140, a Capela Palatina tem três naves e é dedicada a São Pedro.
As três naves são separadas por pilares em granito e mármore cipolino com capitéis que suportam uma estrutura de arcos ogivais. A cúpula, erguida sobre as três absides do santuário, é esplêndida, e o interior da Capela é de cortar a respiração.
A parte decorativa sobressai pela extraordinária beleza dos mosaicos bizantinos que adornam e decoram o transepto, as absides e a cúpula. As decorações, algumas das mais importantes da Sicília, representam, entre outras, a bênção de Cristo, os evangelistas e várias cenas bíblicas.
O elemento que torna a Capela Palatina singular é o teto, na nave central, com muqarnas de madeira (sucessão de nichos geométricos, campos de estrelas) pintadas com figuras de animais, plantas, motivos geométricos e florais. Obra de artesãos árabes, constitui o maior complexo de pintura islâmica da Idade Média que sobreviveu.
No centro da cúpula está o rosto de Cristo Pantocrator (o Todo-poderoso) com a mão direita levantada enquanto a esquerda segura os Evangelhos. Cristo está rodeado pelos quatro arcanjos (Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel) e por quatro anjos e, nos nichos dos cantos, pelos quatro evangelistas (São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João). Cristo aparece majestosamente a abençoar. Uma obra do mais puro estilo bizantino.
Nas naves laterais, os temas reproduzem a vida de São Pedro e São Paulo.
Segundo Guy de Maussant, um grande escritor francês, trata-se de "a mais bela do mundo, a joia religiosa mais preciosa sonhada pela mente humana e executada pela mão de um artista".
Um outro ícone da cidade de Palermo é a Praça Vigliena .
A rua Vittorio Emanuele e a rua Maqueda, as duas principais vias da cidade, encontram-se e formam Quattro Canti, as quatro esquinas mais famosas de Palermo. Este emblemático cruzamento, conhecido como a Piazza Vigliena é um dos locais mais emblemáticos da cidade.
Trata-se de uma praça octogonal: quatro lados são edifícios barrocos e quatro lados são as ruas. As fachadas dos edifícios contêm fontes com estátuas que representam as quatro estações, os quatro reis espanhóis da Sicília e as quatro patronas de Palermo. Cada fachada é composta por três níveis de altura. Cada nível possui um estilo arquitetónico diferente. No piso térreo, as decorações florais e as alegorias das quatro estações do ano representam a ordem natural. No primeiro andar das fachadas, a presença dos reis simboliza a ordem social que se sobrepõe à ordem natural. No segundo andar, as quatro patronas (Santa Águeda, Santa Cristina, Santa Ninfa e Santa Oliva) representam a ordem divina que rege a ordem social.
Muito perto, fica a Praça Pretória, com uma fonte com o mesmo nome, mas também chamada "a Fonte da Vergonha". Existem pelo menos duas versões que pretendem explicar este nome. Uma diz respeito à nudez das estátuas que causou escândalo na época, pois eram expostos nus junto ao Mosteiro e à clausura das irmãs de Santa Catarina. A igreja Santa Catarina de Alexandria, com uma fachada em estilo renascentista ali ao lado, é um maravilhoso complexo arquitetónico.
Outra versão prende-se com os valores avultados que o Senado de Palermo, numa época de grande pobreza e fome, pagou pela compra das estátuas, uma "vergonha".
Quanto às figuras elegantes, elas representam divindades mitológicas.
Bem perto encontra-se a Catedral de Palermo. Dedicada a Nossa Senhora de Assunção, é um dos edifícios mais antigos do centro histórico da cidade.
Na Praça Giuseppe Verdi, fica uma das casas de ópera mais famosas do mundo, o Teatro Massimo.
Inaugurado no final do século XIX, batizado em homenagem ao imperador Vittorio Emanuele II, considerado “pai da pátria”, o Teatro Massimo continua em funcionamento e recebe óperas de renome mundial.
Uma outra sala de espetáculos em Palermo é o Teatro Politeama Garibaldi , na Praça Ruggero Settimo.
Outro exemplo da presença árabe nesta ilha italiana é a igreja de São João dos Eremitas. Construída no lugar de um antigo mosteiro, bem perto do Palácio Real, a igreja é um exemplo típico da arquitetura muçulmana realizada pelos árabes que habitaram Palermo.
Vale a pena visitar esta riquíssima cidade mediterrânea.
Lugar visitado a 21 de agosto de 2017.