domingo, 19 de março de 2023

NANCY - FRANÇA 2023, a cidade das Portas Douradas, dos bergamotes e dos macarons…

   Nancy é uma cidade francesa situada no departamento de Meurthe-et-Moselle, na região histórica e cultural de Lorraine. Pertence à região administrativa Grand Est e dista 330 quilómetros de Paris.     
   Aninhada no coração das colinas de Moselle, a poucos quilómetros da confluência dos rios Mosela e Meurthe, Nancy é uma cidade que cultiva o gosto pela beleza e pela harmonia.






   
    Nesta bela cidade francesa, resplandece a Place Stanislas ou Praça Stanislas, também conhecida como Praça do Sol.



    

   Com edifícios do século XVIII, com portões de ferro forjado guarnecidos de folhas de ouro, que decoram os cantos abertos, e com um arco triunfal ornamentado com pormenores barrocos, a Praça Stanislas, classificada pela Unesco, é um símbolo da capital dos Duques de Lorraine.
 Trata-se de uma grande Praça construída entre 1752 e 1756 por uma brilhante equipa liderada pelo arquiteto Emmanuel Héré de Corny, no tempo em que exerceu o poder Stanislaus I da Polónia. Stanislas Leszczynski, duque de Lorraine, a fim de ligar a cidade velha medieval de Nancy e a nova cidade, construída na época do duque Charles III, mandou edificar uma Praça Real dedicada ao seu genro, Luís XV. Esta foi rebatizada de Place Stanislas em 1831, ano em que a  cidade ergueu uma estátua, obra do escultor Georges Jacquot, a este monarca iluminado.
  Os portões de ferro forjado e dourados com folha de ouro que envolvem a Praça são sumptuosos e magníficos. Eles conferiram a Nancy a denominação de “Cidade das Portas Douradas”.









    

    Um dos edifícios da Praça é o Hôtel de Ville, ou seja, a Câmara Municipal, também denominado Palais de Stanislas. É o mais alto dos edifícios, com 98 metros de comprimento, e ocupa toda a parte sul da Praça.







    

  No lado norte, encontra-se o Arco Héré ou Porte Héré, um arco triunfal projetado por Emmanuel Héré para homenagear o rei francês Luís XV. A sua arquitetura foi inspirada no Arco de Septimius Severus em Roma.
   O Arco Héré exibe motivos de guerra e paz. Um lado apresenta pontas de flechas e armaduras e outro apresenta espigas de trigo e cornucópias. No topo do Arco, há uma inscrição que se refere a Luís XV e que diz: "HOSTIUM TERROR / FOEDERUM CULTOR / GENTISQUE DECUS ET AMOR" ("Terror dos inimigos, autor de tratados e glória e amor de seu povo"). Nas laterais da inscrição estão as estátuas das divindades Ceres, Minerva (à esquerda), Hércules e Marte (à direita). Por cima da inscrição está um acrotério que contém estátuas douradas, uma de Minerva, a deusa romana da estratégia militar, e outra da Fama, a deusa que segura uma trombeta na mão esquerda e uma coroa de louros na mão direita, e representa a glória. Estas duas estátuas envolvem um medalhão de Luís XV, a quem tudo é dedicado. Por baixo da inscrição, estão três baixos relevos de mármore retirados do antigo portão real que ficava aqui antes da construção do Arco.


    
    Nesta Praça também se encontra o Museu de Belas Artes de Nancy, um dos museus mais antigos da França. Este museu foi transferido para a Praça Stanislas, para um dos quatro grandes pavilhões que cercam a praça, pelo duque de Lorraine, Stanislaus Leszczynski.


    

   Outros dois edifícios são a Ópera Nacional de Lorraine e o Grande Hotel da Rainha. Este hotel foi um antigo palácio restaurado e atualmente é um hotel cinco estrelas com quartos decorados ao estilo Luís XV. Diz-se que a Rainha Maria Antonieta esteve aqui para ouvir poemas de Nicolas Gilbert, um poeta de Lorraine, e terá inspirado o nome do Grande Hotel (Grand Hôtel de la Reine).




    

    Do lado esquerdo do Hôtel de Ville, por detrás das grades douradas, é possível avistar a igreja da Anunciação. A Catedral de Notre-Dame-de-l'Annonciation et Saint-Sigisbert de Nancy é uma catedral católica romana que fica na Place Monseigneur-Ruch.





    Vale a pena desfrutar da beleza desta Praça junto à Fonte de Neptuno ou junto da estátua de Stanislas, mesmo no centro. O Monumento a Stanislas Leszczynski, datado de 1831, substituiu uma estátua de Luís XV que havia sido destruída durante a Revolução.



    

    Do outro lado do Arco Héré, encontra-se a Place de la Carrière. Na altura, este local destinava-se a jogos equestres, justas, lutas e torneios. Em dezembro de 1983, a Place de la Carrière foi incluída na Lista do Património Mundial da UNESCO, juntamente com a Place Stanislas e a Place d'Alliance. No fundo da Place de la Carrière, fica o Palácio do Governo.




      

   Em Nancy, fervilham bergamotes e macarons.
  Bergamotes são deliciosos rebuçados translúcidos que resultam de uma mistura de óleos essenciais naturais de bergamota e açúcar cozido. Estes doces quadrados translúcidos, aromatizados com óleo essencial de laranja bergamota, têm uma cor amarelo âmbar e são ligeiramente ácidos.



    

   Macarons, originários da cidade de Nancy, são pequenos doces granulados e comummente produzidos sob a forma arredondada de 3 ou 5 cm de diâmetro.
    Originalmente preparados pelas Irmãs no centro de Nancy, os finos Macarons rapidamente se tornaram famosos em toda a Lorraine e um clássico da gastronomia e confeitaria francesas!
    Foram criados pelas Irmãs do Convento de "Les Dames du Saint Sacrament", que costumavam cozinhar muitos doces diferentes a partir do momento em que a carne fora proibida no Convento. Durante a Revolução Francesa, no final do XVIII, as ordens religiosas foram dissolvidas e duas Irmãs do Convento foram acolhidas pelo Dr. Gourmand, o médico do Convento, que vivia na cidade de Nancy. Para agradecer a hospitalidade do médico e contribuir para a renda da casa, as duas Irmãs, Marguerite e Marie-Elisabeth, começaram a assar os pequenos macarons de amêndoa, hoje conhecidos como os famosos "Macarons de Nancy" ou "Macarons des Soeurs" (Irmãs Macarons). Vale a pena entrar na Maison des Soeurs Macarons, a única guardiã do famoso segredo da receita das Irmãs Macarons, uma receita que se mantém inigualável há mais de 200 anos.


    Vale também a pena percorrer as ruas da cidade de Nancy e contemplar os belíssimos edifícios de Art Nouveau.










Lugar visitado a 9 de março de 2023.

 

 

 
 

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

PALÊNCIA - ESPANHA 2022, a cidade que guarda uma belíssima obra que saiu do pincel de EL GRECO…

  Palência é uma cidade do norte de Espanha que faz parte da comunidade autónoma de Castela e Leão. Outrora conhecida como Pallantia, Palência orgulha-se de ser a cidade da primeira universidade espanhola, fundada por Afonso VIII de Castela, a pedido do Bispo Tello Téllez de Meneses.


  Palência guarda na sua “bela desconhecida”, que é o nome popular dado à Catedral dedicada a San Antolín, uma belíssima obra que saiu do pincel de El Greco, o Martírio de São Sebastião, um óleo sobre tela (1577).
   São Sebastião ou Martírio de São Sebastião é uma obra autografada do famoso artista Doménikos Theotokópoulos, comummente conhecido como El Greco. A pintura retrata São Sebastião, vítima do imperador romano Diocleciano durante o século IV d.C.. Segundo a lenda, Sebastião foi amarrado a uma árvore e perfurado com várias flechas. Quando isso aconteceu, uma jovem, de nome Irene, passou naquele lugar e verificou que ele ainda estava vivo. Levou-o para casa e curou-lhe as feridas. Não completamente restabelecido, mas já com algumas forças e muita persistência, voltou à presença do imperador para defender os cristãos, condenando-lhe a impiedade e a injustiça. Diocleciano, irado, mandou que fosse chicoteado até à morte e depois deitado na Cloaca Máxima, o lugar mais imundo de Roma. O corpo foi recuperado e sepultado nas catacumbas da Via Ápia. Faleceu a 20 de janeiro de 288 ou 300. Vale a pena contemplar estas magníficas pinceladas do artista. Fabuloso!



   A Catedral de Palência começou a ser construída no século XIV, sobre a antiga cripta de San Antolín, e foi concluída no XVI. É um edifício de estilo predominantemente gótico. O interior é belíssimo. A austeridade da sua fachada, além de ocultar este magnífico São Sebastião, esconde também a cripta de San Antolín, com restos dos templos romano e visigodo que ficavam no mesmo lugar séculos antes.













   A cripta de San Antolín é protagonista de duas lendas que tentam explicar a sua origem e importância. A primeira fala-nos das razões da sua construção pelo rei visigótico Wamba. A segunda narra a sua redescoberta por Sancho III de Pamplona, ​​após anos de abandono. Segundo a primeira lenda, a cripta foi construída por ordem do rei Wamba depois de este trazer as relíquias de Antolín de Pamiers de Narbona. Antolín era um visigodo, que abraçou o catolicismo, acabando por sofrer o martírio por volta do ano 506, na cidade de Pamiers. A tradição de Palência acredita que Wamba trouxe as relíquias de San Antolín de Narbona e as depositou na cripta atual.
   De acordo com a segunda lenda, o rei de Navarra, Sancho III, caçava numa floresta de Palência, quando, perseguindo um javali, entrou numa caverna. Prestes a alcançá-lo com uma lança, sentiu o braço paralisado. Ao se aperceber de que a caverna era a cripta de San Antolín, Sancho III prometeu construir ali um templo caso recuperasse a mobilidade da sua extremidade superior. Assim, reergueu ali a primeira catedral, sobre a qual viria a ser construída a catedral românica e, por cima, a atual catedral gótica, num complexo processo histórico de adição, destruição, substituição ou sobreposição de elementos arquitetónicos.


    Atualmente, no dia dois de setembro, dia de San Antolín, a cripta é aberta para oferecer a água do seu poço aos piedosos, uma tradição vivamente enraizada entre os habitantes da cidade. Os fiéis recolhem a água, considerada milagrosa, em pequenos recipientes, enquanto decorre a Eucaristia. Terminada a missa, organiza-se uma procissão à volta do templo.



   Em Palência, destaca-se também a imponente escultura do Cristo del Otero, que se ergue majestosamente numa colina a nordeste da cidade. Trata-se de um dos ícones mais queridos dos habitantes de Palência. Com a assinatura do grande escultor Victorio Macho (1887-1966), o Cristo del Otero pesa 392 toneladas e foi construído em apenas oito meses. A primeira pedra foi lançada em 15 de junho de 1930 e a obra foi concluída em fevereiro de 1931.





    Junto da soberba imagem repousam os restos mortais do célebre escultor Victorio Macho, na ermida que partilha espaço com o Centro de Interpretação que se abre sob a pedra, no cimo do outeiro.
   É difícil englobar a escultura numa tendência artística única. Possui algumas das influências culturais mais internacionais da época, como Art Déco ou Cubismo. Não deixe de subir a esta colina e contemplar a cidade a partir do miradouro! Também pode visitar o santuário e o centro de interpretação Victorio Macho, dedicado aos seus projetos artísticos. Vale a pena!











    Lugar visitado a 3 de agosto de 2022.        

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...