Idanha-a-Velha é uma aldeia que pertence ao município de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, e é uma das doze Aldeias Históricas de Portugal.
Intitulada Civitas Igaeditanorum pelos romanos, Idanha-a-Velha
foi fundada por este povo, nos finais do século I a.C.. Atualmente, ainda é possível encontrar, aqui e ali, vestígios da presença dos povos que falavam o latim. Bem perto do Posto de Turismo e do Lagar de Varas, encontram-se as ruínas de uma habitação romana. Trata-se das ruínas de uma vivenda pertencente a uma família de elevado nível económico e estatuto social. A casa foi construída nos finais do século I d.C.. O fragmento, encontrado aquando da construção do Arquivo Epigráfico, é a parte do átrio (átrio), um pátio coberto, ladeado por duas divisões separadas por um corredor. O átrio dispunha de uma abertura que permitia a entrada de luz e a recolha das águas pluviais. Era a entrada principal de uma casa romana.
O Arquivo Epigráfico, situado no quintal do antigo lagar de azeite, é um dos mais importantes acervos epigráficos romanos da Península Ibérica. Foi criado para expor uma coleção que antes estava na Catedral. A coleção epigráfica romana de Idanha-a-Velha constitui um dos maiores e mais representativos conjuntos nacionais de epigrafia romana, recolhidos em diversas fases da exploração arqueológica da Aldeia. Este extraordinário acervo permite-nos compreender as origens sociais, os deuses e a vida dos povos que por aqui passaram.
A Egitânia romana conheceu, no período visigótico, momentos áureos de desenvolvimento, tendo sido sede de diocese. Embora controverso, alguns estudiosos consideram deste período a Igreja de Santa Maria, vulgarmente conhecida como Sé Catedral. Também são questionáveis as origens das ruínas que estão ao lado desta igreja. Os arqueólogos que conduziram os trabalhos, entre os meados da década de 1950 e os inícios da década de 1970, interpretaram estas estruturas como pertencentes ao Paço dos Bispos, construídas nas épocas dos povos suevos e dos visigodos. Atualmente, esta interpretação é discutível, dado que alguns autores consideram que o edifício que deu origem à Igreja de Santa Maria teve uma origem secular e poderia ter sido ele mesmo parte do palácio episcopal. Outros reconhecem nas ruínas representações de templos integrados no complexo episcopal.
Junto ao Largo da Sé fica o Lagar de Azeite. Trata-se de um lagar antigo, vulgarmente conhecido por Lagar de Varas. A vara é um tronco de árvore fixo e que pousado sobre as azeitonas as espreme. Este espaço, recuperado recentemente, apresenta no seu interior, uma sala, com duas enormes varas de prensagem e uma caldeira; na sala contígua pode ver-se o depósito de azeitona e o espaço da moagem.
Também ali perto, fica a Casa de Marrocos, uma construção do século XX, pertença de uma família abastada, que exibe um bonito trabalhado nas varandas e cantarias. Este solar foi mandado construir pelo último morgado de Idanha-a-Velha, em meados do século passado, e nunca chegou a ser acabado. Crê-se que foi edificado sobre o antigo fórum romano.
A Torre dos Templários é uma construção militar dos meados do século XIII e foi erguida no espaço do fórum romano, sobre o que resta de um templo romano dedicado possivelmente a Vénus.
A atual Igreja Matriz foi anteriormente a Capela da Misericórdia. Passou a ser a igreja matriz a partir do século XIX, uma vez que a Igreja de Santa Maria estava em ruínas. Possui uma nave única. A fachada tem adossada uma torre sineira. No cimo da torre, há um galo a lembrar aos cristãos que não devem negar Cristo.
Ao lado, fica o Pelourinho, de estilo manuelino e classificado como Imóvel de Interesse Público, e o Edifício dos Antigos Paços do Concelho.
Na Rua do Castelo, existe o Forno Comunitário, recentemente recuperado.
Vale a pena visitar esta riquíssima aldeia museu.
Local visitado a 27 de dezembro de 2022.