sábado, 29 de outubro de 2022

ASTORGA - ESPANHA 2017, e uma obra de GAUDÍ fora da Catalunha…

   Astorga é uma cidade espanhola que faz parte da província de Leão, comunidade autónoma de Castela e Leão.
    Um dos lugares mais emblemáticos da cidade é o seu Palácio Episcopal, obra de Antoni Gaudí. Este célebre arquiteto catalão visitou Astorga em várias ocasiões.



   O Palácio Episcopal de Astorga foi construído entre 1889 e 1913 e, atualmente, alberga o Museu dos Caminhos, uma grande referência cultural.
    Tudo começou por causa de um incêndio. Em 1886, D. Juan Bautista Grau y Vallespinós tomou posse da diocese de Astorga, passando a residir no antigo palácio episcopal. Porém, no mesmo ano, a 23 de dezembro, um incêndio destruiu-o. Como o cargo de arquiteto diocesano para a construção do novo palácio estava vago, o bispo Grau, natural de Reus, propôs que o seu compatriota, Antonio Gaudí, se encarregasse das obras. Assim, em dezembro de 1888, Gaudí viajou para Astorga para conhecer o local. Em fevereiro de 1989, o Ministério aprovou o projeto e a 24 do mesmo ano, foi lançada a primeira pedra.
   O objetivo era terminar as obras em junho de 1894, contudo, em 1893, o bispo morre e este acontecimento mudou o rumo das obras. Assiste-se a uma incompatibilidade entre Gaudí e a Junta Diocesana, acabando Antonio Gaudí por renunciar ao cargo de arquiteto.
    Em 1905, o bispo de Astorga, D. Julián de Diego y Alcolea, tentou convencer o grande arquiteto a retomar as obras, mas em vão. É então nomeado arquiteto Ricardo García-Guereta e as obras são concluídas a 12 de outubro de 1913.
    Durante a Guerra Civil Espanhola, o palácio foi usado como quartel-general e escritórios da Falange e alojamento para as forças nacionais.
    Na década de sessenta, o bispo, D. Marcelo González Martín, decide residir definitivamente no Seminário e dedicar o Palácio à sede do Museo de los Caminos, aberto ao público em 1964. Esta denominação deve-se à situação de Astorga, que foi uma encruzilhada de caminhos e Caminho de Santiago.
    O Palácio Episcopal, edifício de estilo neogótico, com as características de um castelo, um templo e uma casa senhorial, é constituído por quatro fachadas ladeadas por quatro torres. A principal e as traseiras, com as suas janelas pontiagudas, conferem ao edifício o carácter de um templo gótico. O telhado, feito de ardósia, é delimitado por uma balaustrada contínua de granito.










    O Palácio está dividido em quatro pisos. A cave, um espaço totalmente aberto, destinado, inicialmente, ao Arquivo Diocesano, ao Museu Epigráfico e à Adega. Atualmente, alberga um acervo epigráfico, numismático e lapidar. 




    No piso térreo, há um grande salão central e salas privativas e de trabalho. É exuberante a decoração interior. As nervuras das abóbadas são decoradas com cerâmica vidrada de Jiménez de Jamúz, reminiscente do estilo mudéjar. Os capitéis, as mísulas, onde repousam as nervuras das abóbadas, possuem um ar moçárabe.






   O primeiro andar é dedicado à figura do Bispo com as diferentes dependências que se organizam em torno do magnífico espaço central. O padrão cerâmico vidrado repete-se neste piso ao longo das abóbadas. Aqui, é possível admirar a Capela, a Sala do Trono e a Sala de Jantar de Gala. Os capitéis, em forma de estrela, e os seus vitrais, lembram os da Sainte Chapelle, em Paris.










    O segundo andar foi totalmente executado pelo arquiteto que substituiu Gaudí. Trata-se de um piso muito simples que contrasta bastante com os pisos inferiores.

    Os três anjos desenhados por Gaudí para rematar o telhado e que nunca ocuparam o seu lugar estão no jardim.


    Ao lado do Palácio Episcopal, encontra-se a Catedral de Santa Maria de Astorga, outra bela construção que merece ser visitada e admirada. Começou a ser construída no fim do século XV e só foi concluída no século XVIII. 














    O portal principal, estilo gótico florido com uma abundância de adornos vegetais e anjos, é magnífico.
 


    No seu interior, vale a pena contemplar o retábulo principal com forma oitavada, uma ideia do seu criador, Gaspar Becerra, para adaptá-lo à forma da abside.









    Numa das salas, cujo acesso é feito pelo claustro, fica o Museu Diocesano.





    Lugar visitado a 25 de fevereiro de 2017.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

QUELUZ - PORTUGAL 2022, e o seu "Versailles" português…


    Queluz é uma cidade portuguesa que faz parte do município de Sintra e pertence à área metropolitana de Lisboa.
    O ícone da cidade de Queluz é o seu palácio, uma construção inspirada no famoso Palácio de Versalhes. Construído em 1747, é um exemplar arquitetónico de excelência e ilustra os ambientes e as vivências da corte portuguesa na segunda metade do século XVIII e início do XIX.


    O Palácio Nacional de Queluz serviu de residência oficial da Família Real no final do século XVIII e é um dos últimos grandes palácios da Europa criado em estilo Rococó.


    Após o incêndio da Real Barraca da Ajuda, também conhecida como Paço de Madeira, (Palácio da Ajuda) em 1794, onde a Família Real vivia desde o terramoto de 1755, o Palácio de Queluz torna-se a residência oficial da rainha D. Maria I, e, posteriormente, dos príncipes regentes, D. João VI e D. Carlota Joaquina. É habitado até à partida da Família Real para o Brasil, aquando das invasões francesas, em 1807, um dia antes da entrada das tropas napoleónicas em Lisboa. 
   Em 1821, D. João VI regressa a Portugal, mas o palácio só volta a ser habitado pela rainha D. Carlota Joaquina, acusada de conspirar contra o marido. Os filhos, D. Miguel e D. Pedro IV de Portugal também residiram no palácio: D. Miguel, enquanto rei e durante o período da guerra, na qual confrontou o seu irmão D. Pedro IV. D. Pedro vence a guerra, mas, por se encontrar doente, abdica do trono de Portugal a favor da sua filha, D. Maria II. É neste palácio, no quarto D. Quixote onde nascera há 36 anos, que D. Pedro IV acaba por morrer, vítima de tuberculose.
   Anos mais tarde, em 1910, o Palácio Nacional de Queluz foi classificado como Monumento Nacional.
  A partir de 1957, o Pavilhão D. Maria I, ala nascente deste palácio, passou a ter funções de residência dos Chefes de Estado estrangeiros em visita oficial a Portugal.
   Este Paço, que muitos conheceram como palácio cor-de-rosa, foi alvo de alguns restauros e voltou ao seu azul original.
   Desde 2012 que a "Parques de Sintra" assume a gestão do monumento, integrado na Rede de Residências Reais Europeias.
    No seu interior, é possível percorrer os espaços de festas, de devoção e os aposentos privados. A talha dourada, o "papier maché", as paredes forradas com espelhos ou pinturas, os candelabros cintilantes, bem como o acervo exposto, proveniente na sua maioria das coleções reais, refletem os ambientes e o espírito refinado dos tempos áureos do Palácio.

























    Uma escadaria - a Escadaria dos Leões - liga o Palácio Real ao grandioso Canal de Azulejos, um extenso lago artificial decorado com grandes painéis de azulejos que representam portos de mar. Neste canal, os membros da Família Real passeavam de gôndola enquanto ouviam música.








    Vale bem a pena a visita ao Palácio e desfrutar de um passeio pelos seus magníficos jardins!






  Lugar visitado a 18 de abril de 2022.

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...