quinta-feira, 20 de outubro de 2022

PALERMO - SICÍLIA 2017, e a joia que os árabes e os normandos lá deixaram…

    Palermo é a capital da Sicília, a ilha que parece pontapeada pelo pé da bota. Banhada pelas águas azuis do Mediterrâneo, a cidade de Palermo tem um riquíssimo centro histórico.



    O destaque vai para o Palácio dos Normandos (Palazzo dei Normanni) e a sua Capela Palatina, um enorme edifício, também conhecido como Palácio Real, construído pelos árabes no IX e, mais tarde, ampliado pelos normandos, que o converteram numa sumptuosa morada real. Ao longo dos séculos, este palácio sofreu bastantes modificações. A partir de 1947, passou a ser a sede do Parlamento Regional Siciliano. O salão de Hércules é o local onde os deputados da Assembleia Regional da Sicília se reúnem. Tem o nome das pinturas que retratam o ciclo dedicado ao herói mitológico grego, Hércules. 











  Não obstante, a joia do Palácio Real é, efetivamente, a Capela Palatinaconsiderada como a mais representativa expressão da arte normanda na capital siciliana. Edificada a partir de 1130, consagrada em 1140, a Capela Palatina tem três naves e é dedicada a São Pedro.
   As três naves são separadas por pilares em granito e mármore cipolino com capitéis que suportam uma estrutura de arcos ogivais. A cúpula, erguida sobre as três absides do santuário, é esplêndida, e o interior da Capela é de cortar a respiração.
   A parte decorativa sobressai pela extraordinária beleza dos mosaicos bizantinos que adornam e decoram o transepto, as absides e a cúpula. As decorações, algumas das mais importantes da Sicília, representam, entre outras, a bênção de Cristo, os evangelistas e várias cenas bíblicas.
    O elemento que torna a Capela Palatina singular é o teto, na nave central, com muqarnas de madeira (sucessão de nichos geométricos, campos de estrelas) pintadas com figuras de animais, plantas, motivos geométricos e florais. Obra de artesãos árabes, constitui o maior complexo de pintura islâmica da Idade Média que sobreviveu.









    No centro da cúpula está o rosto de Cristo Pantocrator (o Todo-poderoso) com a mão direita levantada enquanto a esquerda segura os Evangelhos. Cristo está rodeado pelos quatro arcanjos (Miguel, Gabriel, Rafael e Uriel) e por quatro anjos e, nos nichos dos cantos, pelos quatro evangelistas (São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João). Cristo aparece majestosamente a abençoar. Uma obra do mais puro estilo bizantino.
    Nas naves laterais, os temas reproduzem a vida de São Pedro e São Paulo.
   Segundo Guy de Maussant, um grande escritor francês, trata-se de "a mais bela do mundo, a joia religiosa mais preciosa sonhada pela mente humana e executada pela mão de um artista".
 











    Um outro ícone da cidade de Palermo é a Praça Vigliena .
    A rua Vittorio Emanuele e a rua Maqueda, as duas principais vias da cidade, encontram-se e formam Quattro Canti, as quatro esquinas mais famosas de Palermo. Este emblemático cruzamento, conhecido como a Piazza Vigliena é um dos locais mais emblemáticos da cidade.
   Trata-se de uma praça octogonal: quatro lados são edifícios barrocos e quatro lados são as ruas. As fachadas dos edifícios contêm fontes com estátuas que representam as quatro estações, os quatro reis espanhóis da Sicília e as quatro patronas de Palermo. Cada fachada é composta por três níveis de altura. Cada nível possui um estilo arquitetónico diferente. No piso térreo, as decorações florais e as alegorias das quatro estações do ano representam a ordem natural. No primeiro andar das fachadas, a presença dos reis simboliza a ordem social que se sobrepõe à ordem natural. No segundo andar, as quatro patronas (Santa Águeda, Santa Cristina, Santa Ninfa e Santa Oliva) representam a ordem divina que rege a ordem social.










 
    Muito perto, fica a Praça Pretória, com uma fonte com o mesmo nome, mas também chamada "a Fonte da Vergonha". Existem pelo menos duas versões que pretendem explicar este nome. Uma diz respeito à nudez das estátuas que causou escândalo na época, pois eram expostos nus junto ao Mosteiro e à clausura das irmãs de Santa Catarina. A igreja Santa Catarina de Alexandria, com uma fachada em estilo renascentista ali ao lado, é um maravilhoso complexo arquitetónico.
    Outra versão prende-se com os valores avultados que o Senado de Palermo, numa época de grande pobreza e fome, pagou pela compra das estátuas, uma "vergonha".
    Quanto às figuras elegantes, elas representam divindades mitológicas.
 






    Bem perto encontra-se a Catedral de Palermo. Dedicada a Nossa Senhora de Assunção, é um dos edifícios mais antigos do centro histórico da cidade.












     Na Praça Giuseppe Verdi, fica uma das casas de ópera mais famosas do mundo, o Teatro Massimo.
     Inaugurado no final do século XIX,  batizado em homenagem ao imperador Vittorio Emanuele II, considerado “pai da pátria”, o Teatro Massimo continua em funcionamento e recebe óperas de renome mundial.    







    Uma outra sala de espetáculos em Palermo é o Teatro Politeama Garibaldi , na Praça Ruggero Settimo.

    Outro exemplo da presença árabe nesta ilha italiana é a igreja de São João dos Eremitas. Construída no lugar de um antigo mosteiro, bem perto do Palácio Real, a igreja é um exemplo típico da arquitetura muçulmana realizada pelos árabes que habitaram Palermo.


    Vale a pena visitar esta riquíssima cidade mediterrânea.
    Lugar visitado a 21 de agosto de 2017.



domingo, 16 de outubro de 2022

MARSELHA - FRANÇA 2017, Notre-Dame de La Garde a proteger a cidade…

   Situada na Costa Azul de França, banhada pelas águas azuis do Mar Mediterrâneo, Marselha (Marseille) é uma das cidades mais antigas de França.



    Marcada pela passagem dos gregos e dos romanos, a cidade desenvolveu-se em torno do seu antigo porto protegido pelos seus dois fortes, o forte de Saint-Nicolas e o de Saint-Jean.









    O Vieux Port (Porto Velho) é a alma da cidade, uma das áreas mais famosas de Marselha, localizado na parte inferior da Canebière, uma rua histórica e famosa no bairro artigo da cidade. Bem perto, ergue-se a Catedral de Marselha, a Catedral de la Major ou Catedral de Sainte-Marie-Majeure (Cathédrale Sainte-Marie-Majeure).









    Não obstante, o ícone de Marselha é a Basílica de Notre-Dame de la Garde, a igreja da “Boa Mãe”, como é apelidada, que zela pelos marinheiros, pelos pescadores e por todos os moradores da cidade, com o seu olhar atento e protetor. 
    A silhueta da Basílica, no topo da colina de La Garde, pode ser vista de muitos pontos da cidade. Do cimo da colina, a vista é exuberante.    








    Esta opulenta basílica romano-bizantina do século XIX foi construída sobre as fundações de um forte romano do século XVI, que era ele próprio uma ampliação de uma capela do século XIII.
    O interior da  basílica é lindíssimo, ornamentado com mármore colorido, soberbos mosaicos de estilo bizantino e murais que representam navios navegando sob a proteção de La Bonne Mère (A Boa Mãe).
    O campanário sustenta uma estátua dourada da Virgem com o Menino ao colo.    











   Vale também a pena contemplar, fora da basílica, a estátua de Jesus e Verónica no caminho da cruz. 


   Da colina de La Garde, é possível vislumbrar o Château d'If, o castelo onde esteve preso injustamente o Conde de Monte Cristo.





    Tem-se também uma vista magnífica do Palais du Pharo, uma elegante "residência imperial", oferecida pelo imperador Napoleão III à sua esposa Eugénie. Destinado a tornar-se uma residência imperial, nunca foi usado como tal, pois o imperador nunca ficou no Pharo. Atualmente é um Centro de Conferências.




   Bem perto, a poucos passos da Plage des Catalans, em frente à estátua dos heróis do exército do Oriente, acocora-se uma pequena vila de pescadores provençais, Le Vallon des Auffes.
  Encravado entre duas falésias, voltado para o mar, Le Vallon des Auffes oferece a imagem de um tempo que parou no tempo. Um lugar único, autêntico e pitoresco, com restaurantes tradicionais e famosos e onde é possível degustar a famosa bouillabaisse.    




    Vale mesmo a pena uma visita à cidade protegida pela Boa Mãe!

    Lugar visitado a 18 de agosto de 2017.

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...