sexta-feira, 2 de setembro de 2022

MONT SAINT-MICHEL - FRANÇA 2022, um lugar mítico...

    Escasseiam as palavras quando se chega ao Mont Saint-Michel… Apetece exclamar: "Ah qu'il fait beau voir!".
    Uma das formas de chegar ao Mont Saint-Michel é estacionar num dos parques e apanhar uma "navette", um autocarro que nos deixa a 350 metros do Monte. O bilhete da "navette" está incluído no parque.
    Depois, é caminhar lentamente, apreciar e contemplar aquela maravilha. O Mont Saint-Michel e a baía são Património Mundial da UNESCO desde 1979. Avistar e chegar a Saint-Michel é uma sensação indescritível, magnífica. Trata-se de uma paisagem mítica. 
     O rochedo granítico do Mont Saint-Michel chamava-se outrora Mont Tombe. No ano 708, o Arcanjo Miguel apareceu em sonhos a Saint Aubert, bispo de Avranches, e pediu-lhe que construísse um santuário em seu nome na ilha rochosa situada na foz do rio Couesnon. Todavia, o bispo não deu importância a este sonho. O arcanjo voltou a insistir e o bispo começou então a construção. No século XI, é edificada uma grande abadia. No século XIII, começa a construção da "Merveille": dois edifícios de três andares, o claustro e o refeitório dos monges. A construção do Mont Saint-Michel representa a hierarquia feudal praticada na época: Deus no topo, depois a abadia e o mosteiro, e num plano inferior os armazéns e as casas. 
    As impenetráveis fortificações e as ondas de maré alta impossibilitaram os ingleses de invadir e conquistar o Mont Saint-Michel durante a Guerra dos Cem Anos. Durante a Revolução Francesa, os monges abandonaram a abadia, que é transformada em prisão de Estado. Em 1874, o serviço dos Monumentos Históricos restaura o edifício e este é aberto ao público. Além de ser bem conhecido por ser um destino turístico, é também um local de peregrinação muito importante. A partir do século X, muitos peregrinos chegaram à abadia passando por rotas perigosas e pelas areias que cobriam a baía de Saint-Michel na maré baixa. Sem a ponte que interliga o continente e a ilha, era uma aventura arriscada cruzar a baía do Mont Saint-Michel, pois também havia áreas com areia movediça ao redor.
    Dentro dos muros, todos os caminhos vão ter à abadia. Quando construída pela primeira vez, a abadia beneditina refletia uma arquitetura românica. Ao longo dos tempos, sofreu danos e foi reconstruída posteriormente em estilo gótico flamboyant, com arcos altos e esbeltos esculpidos. Porém, a nave da abadia ainda reflete essa arquitetura românica.
Para regressar, lá está a "navette" que nos conduz ao parque de estacionamento.
    Vale a pena parar em Beauvoir para saborear um bom gelado numa "épicerie" típica da Normandia. Beauvoir é um vilarejo perto do Mont Saint-Michel que deve o seu nome a uma lenda: uma mulher cega ao recuperar a visão quando viu o Mont Saint-Michel gritou "Ah qu'il fait beau voir!". 
     Ainda em Beauvoir, vale a pena visitar um moinho de vento em funcionamento, Le moulin de Moidrey. Maravilhoso!
    Se tiver tempo, percorra as redondezas de Beauvoir ou Pontorson para captar imagens deslumbrantes do Mont Saint-Michel
    Jante no restaurante La Gourmandise uma galette au blé noir.
    Pode ficar hospedado em Pontorson. 
    Lugar visitado no dia 8 de agosto de 2022.

AMBOISE - FRANÇA 2022 - Château du Clos Lucé e LEONARDO DA VINCI

    Amboise é uma cidade do Vale do Loire, situada na margem esquerda do rio, no departamento Indre-et-Loire. É um encanto vislumbrar a silhueta imponente do Château d'Amboise sobre o Loire quando se chega a esta cidade.
    Muito próximo do Château d'Amboise, encontra-se o Château du Clos Lucé, onde, a convite do rei François 1er, viveu Leonardo Da Vinci entre 1516 e 1519.
    O Château du Clos Lucé tornou-se, em 1490, a casa de veraneio dos reis da França. Em 1516, o rei Francisco I e Louise de Savoie convidam Leonardo Da Vinci para Amboise. O Rei Francisco I, apaixonado pelo talento de Leonardo, oferece-lhe o prazer do Château de Clos Lucé, localizado a poucos metros do Château d'Amboise. Uma passagem subterrânea entre os dois castelos permitia que os dois homens se encontrassem com frequência. Atualmente, apenas os primeiros metros ainda são visíveis. 
    Leonardo aceitou o convite, atravessou os Alpes com alguns dos seus discípulos e trouxe para esta casa três quadros que não quis deixar em Itália: a "Gioconda", "São João Batista" e "Santa Ana", e todos os seus manuscritos. Aqui viveu até à sua morte, a 2 de maio de 1519. Nestes últimos três anos da sua vida, trabalhou em vários projetos para o rei de França, rodeado pelos seus alunos. Recebeu visitantes de prestígio como o Cardeal de Aragão, grandes homens do reino, embaixadores italianos e colegas artistas presentes na corte do rei. 
     Durante a visita ao Chateau du Clos Lucé, pode-se ver-se o quarto de Leonardo Da Vinci e o de Marguerite de Navarre, irmã do rei Francisco I, e o oratório de Ana da Bretanha, esposa de Carlos VIII, decorado com quatro afrescos, incluindo um da Anunciação pintado pelos discípulos de Leonardo. Por cima da porta, acredita-se que a Virgem da Luz tenha sido a inspiração para o novo nome do castelo: Le Clos Lucé.
    O mais deslumbrante nesta visita são os ateliers de pintura de Da Vinci. No primeiro atelier - o de pintura - encontra-se uma cópia do século XIX de "A Virgem, o Menino Jesus e Santa Ana", e uma réplica de "São João Batista". Neste atelier, é possível observar o seu cavalete de pintura, as tintas, alguns manuscritos e alguns desenhos. No segundo - o do escultor - pode ver-se um projeto de uma estátua equestre em bronze para Francisco I e um forno de cozedura bem como utensílios de fundição. No terceiro - o atelier de desenhos - alguns desenhos e esboços do quadro de Santa Ana.
    A seguir estes locais de trabalho e graças à tecnologia virtual - holograma - é possível assistir ao encontro histórico entre Leonardo Da Vinci e o Cardeal de Aragão, que faz uma viagem pela Europa e visita Leonardo Da Vinci no Clos Lucé. Leonardo mostra-lhe as três obras que trouxera de Itália. De seguida, o visitante encontra a sala do Conselho e a cozinha de Leonardo.
    No piso térreo, há quatro salas com quarenta fabulosas máquinas de Leonardo. As maquetes foram realizadas de acordo com os desenhos originais do génio e construídas com materiais da época. Destaque para a ponte giratória.
    Distribuídos por sete hectares, o parque e o jardim são verdadeiros museus ao ar livre e testemunham o fascínio que Leonardo Da Vinci nutria pela natureza, a sua primeira fonte de inspiração. Passear nestes jardins é viajar pelos passos do artista, do génio visionário, do engenheiro, do pintor, do arquiteto, do cientista, do botânico, do anatomista, do arquiteto, do matemático, do inventor, do escultor...
    Há 20 maquetes de tamanho real expostas pelo parque. As crianças e os adultos têm a oportunidade de realizarem as suas próprias experiências com as obras de Leonardo Da Vinci. Aquando da visita, encontrava-se neste Château uma exposição temporária do quadro "São Jerónimo no Deserto", de Leonardo, uma obra-prima inacabada, emprestada pelo Museu do Vaticano. Fabuloso!
    Lugar visitado no dia 11 de agosto de 2022.

AQUIS QUERQUENNIS - GALIZA - ESPANHA 2023, as ruínas romanas nas margens do Rio do Esquecimento…

     Nas margens do mítico rio Lethes - o rio do Esquecimento - ou Rio Limia, ou em português Rio Lima, Aquis Querquennis foi um important...